Antes de ler. Paulo continua o raciocínio do capítulo anterior respondendo a perguntas que um leitor judeu poderia fazer; acompanhe o estilo de pergunta e resposta.
Qual, pois, é a vantagem do judeu? Ou qual é a utilidade da circuncisão? Muita, em toda maneira. Pois, em primeiro lugar, as palavras de Deus lhes foram confiadas. Então, quê? Se alguns foram infiéis, 1 a infidelidade 2 deles anulará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Antes seja Deus verdadeiro, e todo ser humano mentiroso, como está escrito: “Para que sejas justificado em tuas palavras, e prevaleças quando julgares”. 3 E, se a nossa injustiça evidencia a justiça de Deus, que diremos? Acaso Deus é injusto em impor a sua ira? (Falo na lógica humana). De maneira nenhuma! De outro modo, como Deus julgará o mundo? Pois se, através da minha mentira, a verdade de Deus foi mais abundante para a sua glória, por que ainda sou também julgado como pecador? E por que não dizer : “Façamos o mal, para que venha o bem”, como alguns nos caluniam, afirmando que nós dizemos isto? (A condenação destes é justa). Então, quê? Somos nós melhores? Não, de maneira nenhuma. Pois já delatamos que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado, como está escrito: Não há justo, nem um sequer. Ninguém há que entenda, ninguém há que busque a Deus. Todos se desviaram, e juntamente se tornaram inúteis. “Não há quem faça o bem, não há um sequer”. “Suas gargantas 4 são sepulcro aberto; com suas línguas enganam”; “veneno de serpentes 5 está sob seus lábios”. “Suas bocas estão cheias de maldição e amargura”. “Seus pés são velozes para derramar sangue. Destruição e miséria há em seus caminhos, e não conheceram o caminho da paz”. “Diante dos seus olhos não há temor a Deus”. Ora, sabemos que tudo o que a Lei diz, diz aos que estão na Lei, para que toda boca se cale, e todo o mundo seja condenável perante Deus. Assim, ninguém 6 será justificado diante dele pelas obras da Lei, porque o que vem pela Lei é o conhecimento do pecado. Mas agora, independentemente da Lei, a justiça de Deus se manifestou, tendo testemunho da Lei e dos Profetas; isto é, a justiça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, 7 para todos e sobre todos os que creem; pois não há diferença; porque todos pecaram, e estão destituídos da glória de Deus; e são justificados gratuitamente pela sua graça, por meio da redenção 8 que há em Cristo Jesus. Deus propôs Jesus 9 por sacrifício de reconciliação, pela fé em seu sangue, para demonstrar a sua justiça. Ele deixou de considerar os pecados antes cometidos, sob a paciência de Deus, para demonstrar a sua justiça neste presente tempo, a fim de que ele seja justo, e justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde, pois, está o orgulho? Este é excluído. Por qual lei? A das obras? Não, mas sim, pela Lei da fé. Concluímos, portanto, que o ser humano é justificado pela fé, independentemente das obras da Lei. Por acaso Deus é somente dos judeus, e não também dos gentios? Certamente que dos gentios também; já que há um só Deus, que justificará pela fé os circuncisos, e por meio da fé os incircuncisos. Por acaso anulamos a Lei pela fé? De maneira nenhuma. Pelo contrário, confirmamos a Lei.
- 1 Versículo 3: Ou: incrédulos
- 2 Versículo 3: Ou: incredulidade
- 3 Versículo 4: Ou: quando fores julgado
- 4 Versículo 13: Lit. “A garganta deles é”
- 5 Versículo 13: Ou, mais precisamente, áspides
- 6 Versículo 20: Lit. nenhuma carne
- 7 Versículo 22, fé em Jesus Cristo: trad. alt. fidelidade de Jesus Cristo
- 8 Versículo 24: Isto é, resgate
- 9 Versículo 25: Lit. “Cristo Jesus, a quem Deus propôs”. A longa frase no original foi dividida para facilitar a leitura
A justiça de Deus pela fé
Paulo diz que os judeus têm a vantagem de terem recebido as palavras de Deus, mas que todos, judeus e gregos, estão debaixo do pecado, e cita várias passagens das Escrituras. Agora, porém, a justiça de Deus se manifesta pela fé em Jesus Cristo, para todos os que creem, sem diferença. Ele conclui que a fé não anula a Lei, mas a confirma.
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