Sobre o livro de Romanos
A carta mais longa de Paulo, escrita a uma igreja que ele ainda não conhecia. Nela Paulo explica com cuidado como entende o evangelho: a justiça de Deus, a fé, a relação entre judeus e não judeus e a vida em comunidade.
- Quem escreveu
- A carta diz ser de Paulo, e há amplo acordo entre os estudiosos sobre isso. Um auxiliar chamado Tércio aparece no final como quem a escreveu à mão.
- Quando
- Escrita provavelmente nos anos 50 do século I, quando Paulo se preparava para levar uma coleta aos pobres de Jerusalém.
- Para quem
- Os cristãos de Roma, de origem judaica e não judaica, que Paulo pretendia visitar a caminho da Espanha.
Antes de ler. Esta é uma carta de Paulo aos cristãos de Roma, que ele ainda não tinha visitado; no começo ele se apresenta e conta seu desejo de ir até eles.
Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus, que antes havia prometido por meio dos seus profetas nas santas Escrituras, acerca do seu Filho (que, quanto à carne, nasceu da descendência 1 de Davi, e declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos): Jesus Cristo, nosso Senhor. Por ele recebemos graça e apostolado, para a obediência da fé entre todas as nações, 2 por causa do seu nome. Entre elas sois também vós, chamados para serdes de Jesus Cristo. A todos que estais em Roma, amados de Deus, e chamados de santos: 3 convosco haja graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Em primeiro lugar, agradeço ao meu Deus por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque a vossa fé é anunciada no mundo todo. Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito no evangelho do seu Filho, é minha testemunha de como sem cessar faço menção de vós, rogando sempre em minhas orações, que agora, de alguma maneira, finalmente, tenha eu a oportunidade de, pela vontade de Deus, vir vos visitar. Pois eu desejo ver-vos, para compartilhar convosco algum dom espiritual, para que sejais fortalecidos; isto é, para eu ser consolado juntamente convosco pela fé mútua, tanto a vossa, como a minha. Porém, irmãos, não quero que ignoreis que muitas vezes pretendi vir à vossa presença (mas fui impedido até agora), a fim de que eu também tivesse algum fruto entre vós, como também entre os demais gentios. Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a não sábios. Portanto, quanto a mim, pronto estou para anunciar o evangelho também a vós, que estais em Roma. Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiramente do judeu, e também do grego. Pois no Evangelho 4 se revela a justiça de Deus de fé em fé; como está escrito: O justo viverá pela fé. Porque a ira de Deus se manifesta do céu contra toda irreverência e injustiça das pessoas que bloqueiam a verdade pela injustiça; pois o que se pode conhecer de Deus é evidente a eles, porque Deus lhes manifestou. Pois as suas características invisíveis, inclusive o seu eterno poder e divindade, desde a criação do mundo são entendidas e claramente vistas por meio das coisas criadas, para que não tenham desculpa; Porque, ainda que tenham conhecido Deus, não o glorificaram como Deus, nem foram gratos; em vez disso, perderam o bom senso em seus pensamentos, 5 e seus tolos corações ficaram em trevas. Chamando a si mesmos de sábios, tornaram-se tolos, e trocaram a glória de Deus indestrutível por semelhança de imagem do ser humano destrutível, e de aves, de quadrúpedes, e de répteis. Por isso, Deus os entregou à imundície, nos desejos dos seus corações, para desonrarem os seus corpos entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura mais do que ao Criador, que é bendito eternamente, Amém! Por isso, Deus os entregou a paixões infames. Pois até suas mulheres trocaram o hábito sexual natural pelo que era contra a natureza; e também, de semelhante maneira, os machos abandonaram o hábito sexual natural com a mulher, e acenderam sua sensualidade uns com os outros, homens com homens, praticando indecência, e recebendo em si mesmos a devida retribuição pelo seu erro. E como recusaram reconhecer a Deus, o mesmo Deus os entregou a uma mente corrompida, para fazerem coisas impróprias. Assim, estão cheios de toda injustiça, pecado sexual, malícia, ganância, maldade; estão repletos de inveja, homicídio, brigas, engano, malignidade; são murmuradores, difamadores, e odeiam a Deus; são insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, e desobedientes aos pais; não têm entendimento, quebram acordos, são insensíveis, e recusam-se a perdoar ou a mostrar misericórdia. Apesar de conhecerem o juízo de Deus (de que os que fazem tais coisas merecem a morte), não somente as fazem, como também aprovam os que as praticam.
- 1 Versículo 3: lit. semente
- 2 Versículo 5: ou: “todos os gentios ”
- 3 Versículo 7: ou: “chamados para serdes santos”
- 4 Versículo 17, Evangelho: lit. nele
- 5 Versículo 21: lit. tornaram-se vãos (ou fúteis) em seus pensamentos
O evangelho e a troca da verdade
Paulo se apresenta como apóstolo, saúda os de Roma e diz que deseja visitá-los. Afirma que não se envergonha do evangelho, poder de Deus para salvar quem crê. Depois descreve pessoas que conheciam Deus pelas coisas criadas, mas trocaram a glória dele por ídolos e foram entregues a desejos desordenados e a muitos tipos de mal.
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